As pressões das redes sociais e dos conteúdos online na vida de jovens e adolescentes
- Katherine P. Legrazie

- 10 de fev.
- 2 min de leitura
As redes sociais fazem parte do cotidiano de jovens e adolescentes e influenciam diretamente a forma como eles se percebem, se relacionam e constroem sua identidade. Embora possam ser espaços de conexão, expressão e troca, também carregam pressões silenciosas que impactam a saúde emocional nessa fase da vida.
A lógica da comparação constante
Nas redes sociais, é comum o contato contínuo com imagens idealizadas de corpos, rotinas, conquistas e estilos de vida. Para muitos jovens, essa exposição constante gera comparações difíceis de sustentar, alimentando sentimentos de inadequação, baixa autoestima e a sensação de nunca ser suficiente. A ideia de que todos estão bem, felizes e bem-sucedidos pode intensificar angústias e inseguranças.
A busca por aprovação e pertencimento
Curtidas, comentários e seguidores acabam funcionando como indicadores de valor e reconhecimento. Para adolescentes, que estão em um momento importante de construção da identidade, a aprovação online pode se tornar central. A ausência de engajamento ou a rejeição virtual pode ser vivida como exclusão, fracasso ou desvalorização pessoal.
Excesso de estímulos e dificuldade de lidar com emoções
O fluxo constante de informações, vídeos curtos e conteúdos rápidos dificulta momentos de pausa e reflexão. Muitos jovens relatam dificuldade para lidar com o tédio, a frustração e o silêncio, além de ansiedade, irritabilidade e problemas de concentração. O ambiente digital, quando excessivo, pode dificultar o contato com as próprias emoções.
Exposição precoce e conteúdos inadequados
Outro ponto importante é o contato com conteúdos que não são compatíveis com a maturidade emocional do jovem, como violência, sexualização precoce, discursos de ódio e padrões irreais de sucesso. Essa exposição pode gerar confusão, medo, culpa ou sofrimento psíquico, muitas vezes sem que o jovem consiga nomear o que sente.
Impactos nas relações e na vida offline
O uso intenso das redes sociais também pode interferir nas relações presenciais, no diálogo familiar, no rendimento escolar e no sono. Conflitos com pais sobre tempo de tela e isolamento social são queixas frequentes nessa fase.
O olhar da Psicologia e da Psicanálise
Do ponto de vista da Psicologia Clínica, especialmente na abordagem psicanalítica, é fundamental oferecer ao jovem um espaço de escuta onde ele possa falar sobre suas experiências no mundo digital, elaborar angústias e construir sentidos próprios para aquilo que vive. A psicoterapia não busca demonizar as redes sociais, mas compreender o lugar que elas ocupam na vida de cada sujeito.
A importância do diálogo e do cuidado
Mais do que controlar ou proibir, é essencial que pais e responsáveis estejam abertos ao diálogo, interessados em compreender o universo digital dos jovens e atentos aos sinais de sofrimento emocional. Quando as pressões das redes sociais se tornam difíceis de lidar, buscar ajuda profissional pode ser um passo importante.
A psicoterapia oferece um espaço seguro para que jovens e adolescentes possam refletir sobre sua relação com o mundo online, fortalecer a autoestima e encontrar formas mais saudáveis de se posicionar diante das exigências contemporâneas.


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